domingo, 6 de setembro de 2009


Minha idade?

Ontem a amiguinha de minha filha perguntou minha idade. Quando disse a ela quantos anos eu já vivi, ela me fitou assustada e me perguntou qual creme uso para me manter tão jovem.
Não uso cremes. Me dei conta que os meus anos já estão bem avançados para a perspectiva dos adolescentes.
Pensei na possibilidade de estar envelhecendo.
Mas, o que é envelhecer? Envelhecer para mim, nada mais é do que ter um arquivo de informações, proporcional aos anos ganhos. Saber apreciar o ser humano sem críticas excessivas.
Olhar meus pais com muito mais respeito do que quando eles usavam o chinelo para a disciplina.
Admitir que nem sempre ganhamos na vida. Que palavras faladas não são recuperadas.
Que elogios valem mais que cobranças. Que sentir dor faz parte implícita no processo de viver.
Que mentir é definitivamente o caminho mais estúpido.
Envelhecer tem grande valor para a alma.
O corpo pode perder seu viço, sua beleza, sua integridade, mas a alma ganha.
Sempre ganha mais.
Na alma está o que somos e o que nos tornamos ao longo dos minutos, horas, dias, meses, anos.
Ela captura momentos, cores, sons, sabores, palavras.
Ela não tem rugas de expressão, nem fios brancos.
Posso dizer com propriedade que a alma passa por mais dificuldades, dores e dissabores que nosso corpo.
Por isso envelhecer tem mais a ver com nossa alma do que com nosso corpo.
Desta forma não posso dizer que envelhecer seja algo ruim. Estou amando este processo.
Pode ser que meu corpo não acompanhe meus pensamentos, mas há mais beleza no envelhecer do que no tornar-se jovem.
Hoje sei o que sou, sei o que quero, não temo futuro, nem a morte.
Espero envelhecer com alegria, aproveitando cada dia como uma nova página num álbum de recordações.
Se as rugas surgirem ela só serão marcas fisicas. As marcas que não veem e não aparecem serão meu mais precioso bem na velhice.
Eu e minha alma. Eu, minha alma e Deus. Nada mais perfeito.
Qual minha idade? Nem te conto!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Microscópio e eu.

Minha primeira experiência com um microscópio foi surreal. Para entender o porquê, me remonto à minha infância.

Logo que aprendi a ler eu descobri que o primeiro capítulo do livro de Gênesis, da Bíblia, me fascinava. Ali havia uma descrição do começo de tudo a partir do nada, que eu queria muito entender.

Fui elaborando perguntas e conforme fui amadurecendo, procurando respostas. As enciclopédias que meu pai comprava trouxeram ainda mais perguntas. Amava ler sobre o que a terra tinha de vida e o que o universo possuía de infinito.

Meu pai era o “respondedor” de minhas perguntas e conforme vinham suas respostas, eu tomava novos rumos na minha busca.

Observar estrelas, acompanhar uma trilha de formigas e verificar as asas das borboletas eram minha alegria.

Logo cedo descobri que a Vida era minha paixão.

Mas, os por quês, os “comos” e de que maneira tudo se encaixava, ainda pouco sabia.

Exercia minha fé, meio cambaleante.

Aos 18 anos estava na universidade, cursando o que era óbvio: Biologia.

Então, chego ao meu primeiro contato com o microscópio.

Aula de biologia celular. Laboratório. Todos com seus jalecos e seu microscópio. Já havíamos aprendido como manuseá-lo e neste dia era aula de visualização.

Em cima de uma bancada, havia um becker com água de um riacho anteriormente coletada, estava suja e mal cheirosa.

Foi posto um pingo ínfimo dessa água em uma lâmina pequena de vidro. Cobrimos com uma lamínula e colocamos no microscópio. Aumento de 400 vezes.

Então meus olhos viram algo que foi tremendamente impactante para mim.

Naquela pequena gota de água eu me deparei com um universo de vida.

Nunca havia pensado que a perfeição fosse tão abrangente. Seres simétricos, compostos de uma única unidade celular, capazes de terem uma influência significativa sobre outros seres pouco maiores que ele. Um equilibrio gerando vida.

Uns se locomoviam tão rápido quanto uma veloz pantera. Outros lentamente se esgueiravam pelos sedimentos e algas de água doce. Uns tinham longos flagelos, outros cores e formas variadas.

O tempo parou para mim. Neste momento as respostas que esperava, foram escorregando dentro de minha alma. Nada científico ou que pudesse ser expresso numa equação matemática ou numa formula química. Simplesmente eu estava diante de parte do infinito.

Sem naves espaciais ou figuras de livros ou meras imagens descritas por outros.

Eu contemplava uma parte do perfeito.

Naquele dia, eu tive um dos momentos mais significativos de minha curta vida. Naquele dia eu pude entender Gênesis 1, eu entendi a trilha das formigas, as asas de borboletas e o caminho das aves migratórias. Descobri que Deus existe de forma palpável, perfeita, real.

Não há como, tanta perfeição, equilíbrio e simetria serem obras de acasos.

Meus olhos estavam vendo o que minha alma ansiava.

Depois disso, muitos encontros com o criador aconteceram.

Minha escolha profissional me proporcionou a chance de contemplar não só o que foi criado, mas quem criou.

Cada dia, cada vez que mais conheço a Vida, mais tenho visão do infinito, do belo, do perfeito.

Um simples microscópio me deu as respostas.

  RELATO DE MINHA FILHA :  Testemunho escrito por Ana:  "Tudo posso naquele que me fortalece!"  Dia 17 de Setembro:       Uma terç...