domingo, 4 de julho de 2010

Minha Maternidade

Biologicamente falando, todas as fêmeas, das espécies sexuadas, foram programadas para gerar filhos. Há, entretanto, várias nuances que determinam certos padrões no comportamento das fêmeas de cada espécie. Foi dado por Deus, a cada organismo, o instinto de perpetuar sua espécie e todos os seres levam isso muito a sério. A escolha do parceiro tem como base biológica principal escolher aquele(a) que possui o melhor "pool gênico" e com isso gerar proles férteis e fortes.
Essa luta não é muito fácil dentro o todo  reino animal, mas pelo jeito tem funcionado.
Com o ser humano as coisas ficam mais complexas. Somos dotados de inteligência, consciência e isso faz com que a reprodução esteja vinculada a muitos princípios éticos, culturais e religiosos.
No geral as mulheres sempre desejam a maternidade, embora não saibam as implicações disso e, como toda a espécie animal, nem sempre a prole chega voluntariamente.
Eu sempre quis ser mãe. Desejei isso com muita intensidade.
Mas, a gravidez nunca chegou.
Genéticamente falando, sou portadora de genes que nunca serão segregados nas próximas gerações. Minhas características morrem comigo.
No início, achei isso uma tragédia.
Argumentei com Deus durantes alguns anos e não tive respostas para muitas perguntas.
Orações ficaram perdidas no vácuo e nunca pude compreender todos os por quês  não respondidos, que foram levados até os ouvidos de Deus.
Um dia, decidi que não adiantava sofrer por uma decisão tomada por Deus. Quando Ele decide, assim será. Aceitar e seguir em frente.
Então, tomei outros caminhos.
Surgiu a idéia da adoção.
Sinceramente, nem de longe pensei em métodos de fertilização in vitro, ou outro qualquer. Isso seria intervir no que havia sido mostrado por Deus.
Nasceu em mim um desejo enorme de ser mãe adotiva.
Uma criança iria me adotar e isso me pareceu um caminho muito atraente.
Barriga, gravidez não me encantavam mais...eu queria simplesmente amar uma criança.
Eu queria que uma criança me amasse.
Eu queria que minha alma fosse preservada no coração de uma criança....
Entretanto, precisava me certificar de que isso estava nos planos de Deus.
Sabia que optar por algo longe da vontade Dele seria um ato de suicidio emocional.
Parti do princípio de que, se Ele não quisesse isso pra mim, nenhuma criança iria surgir.
O processo de espera foi de 9 meses e 10 dias.
Quando fui adotada pela Ana soube o que é ser mãe!
É mais do que uma barriga grande.
Mais que enjôos ou parto normal.
Mais do que características genéticas.
É um amor de dimensão inexplicável.
Um amor que chega  em nossa vida sem ao menos saber como.
Ana veio para cumprir meu mais sonhado objetivo: "Ser Mãe".
A adoção tem um poder profundo de nos fazer especiais, de nos fazer melhores.
 Nos fazer entender que o amor está além de laços genéticos.
Certamente meus genes não segregarão para as gerações seguintes. O que isso importa?
 Importa que tudo que eu sou na alma, estará na alma da Ana.
Isso é surreal. Isso sim é um verdadeiro projeto de maternidade.
Ela me trouxe mais ternura, mais profundidade, mais sensibilidade.
Sou mais mulher por ser mãe adotiva.
Esse mês Ana completa 15 anos! Minha menina vai ter sua passagem para a fase adulta.
Eu posso olhar em seu coração e ver as virtudes que estão lá desenhadas. Cada princípio semeado, florescendo como em um jardim.
Posso dizer que, se Deus vier até mim e disser que está na hora de eu ir para Casa, vou em paz, certa de que deixei na terra um ser humano com minhas marcas com um coração cheio bondade, de ternura e beleza. Um ser humano melhor que eu!
A maternidade para minha vida foi e é  o melhor  plano que Deus traçou para mim e  muito me orgulha  ser mãe adotiva da menina-moça mais preciosa que há neste mundo!
Biologicamente sou estéril no corpo, mas certamente produzi frutos eternos na vida de Ana!
Essa é minha maternidade! Agora estou completa como mulher!

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