sábado, 11 de agosto de 2018

Sobre meu pai (in memorian)

Há muito tipos de pais. 
O meu pai foi o do melhor tipo.
Não digo isso porque ele já voltou "para casa", mas porque ele foi mesmo, o pai da melhor estirpe.
A primeira e mais significativa qualidade de caráter de meu pai era que ele amava minha mãe. Papai foi um marido especialmente comprometido com ela até seu final. Ele foi meu modelo nesse quesito. Eu sempre tive o mais alto padrão de homem por conta disso. 
Ele sempre foi um pacificador. 
Prezava pela conciliação, pelo entendimento e tolerância. Nunca uma altercação, nunca uma ofensa em troca de outra. Pelo contrário, sempre uma palavra de paz e perdão.
Ele amava ler. Foi fiel em nos ensinar a ter esse gosto precioso.
Papai amava o mar e também me fez entender porque o mar o fazia tão feliz.
Ele tinha uma curiosidade nata. Queria aprender e saber de tudo, tanto que, logo que começamos a ler, ele nos deu de presente a coleção inteira da Barsa (a versão em papel do Google).
Amava conversar e isso foi seu melhor legado, especialmente pra mim.Ele sabia conversar com qualquer tipo de pessoa, cativava o mais simples até o mais erudito ser humano. Tinha tanto carisma que sabia manter um diálogo por horas sobre qualquer assunto.
Foi um professor por natureza! Sabia ensinar! 
Como bom italiano,a mesa de nossa casa devia estar sempre pronta para receber pessoas e não admitia que ela estivesse vazia. 
Papai foi aquele tipo que nos ensinou andar de bicicleta, daquele jeito bem "pai", segurando na garupa e correndo junto com nossas pedaladas. 
Ainda hoje, quando saímos de bike, ele me vem a mente!!
Incentivador, amigo, protetor e conselheiro. 
Mas, uma grande característica dele era sua fé.
Ele era fiel a Deus. 
Sempre dava de seu tempo para orar com a gente e ler um texto da bíblia para confortar nosso coração.
Nunca se envergonhou de sua fé e de seus princípios. Nunca vi ou ouvi meu pai reclamar das lutas e culpar a Deus por elas.
Não dá pra contar quantas vezes ouvi meu pai orando a noite ou pela manhã! Isso me dava um grande consolo, porque sabia que eu estava em suas orações.
Depois de sua partida, eu tento manter viva dentro de mim toda sua história! Procuro preservar alguns de seus hábitos que eu sempre amei. Comer amendoins todas as tardes, ler o jornal, saber a previsão do tempo e tantas outras pequenas coisas que eu identifico como uma característica dele.
Esse é o segundo ano que não tenho meu pai no segundo domingo de agosto e tem sido um buraco no meio da minha história.
Mas, a vida é assim mesmo. Papai está bem, sem sofrer e isso é um bom conforto para nosso coração.
Sei que logo vamos nos ver de novo, colocar o papo em dia!
Tenho muitas coisas pra contar!
Papai! Saudades de ti!
Nos meus 3 anos!
Nos seus 80 anos!



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