quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Nossa cruel finitude.

    Já tive de enfrentar por muitas vezes a realidade da morte na vida de quem amo. Minha primeira experiência com a morte foi quando era jovem (23 anos) e três amigos morreram num acidente de carro onde eu deveria estar junto. Mas, como eu tinha muitas atividades no fim de semana, não pude ir com eles à uma reunião de jovens perto de Curitiba. No domingo, durante o culto, fomos informados que eles sofreram um acidente, três deles morreram na hora e a quarta pessoa, a querida Raquel, estava em coma no hospital com um traumatismo craniano.
    Fiquei 3 noites sem dormir pensando sobre a finitude de tudo. Afinal, a morte não vem só para quem está velho e doente. A morte está ali a um minuto de mim, ou mesmo um segundo, ou num fim de semana que decidi não ir a um certo lugar.
    Depois disso, houve tantas vezes que tive de chorar pela morte de alguém próximo, um avô, minha avó, um amigo, um tio, meu pai. Confesso que, apesar de saber que sou finita e que a morte chegará para mim, não é muito confortável encarar essa perspectiva.  Sei para onde vou depois que essa vida acabar, mas quero viver aqui mais um pouco, e mais um pouco e quem sabe, ainda mais um pouco. A bíblia diz que Deus colocou a eternidade em nosso coração, por isso a morte não é uma coisa que  gostamos de falar ou mesmo de encará-la.
    Mas, o que mais me impacta é pensar na morte de quem não quero perder. Isso ainda é mais difícil. Quando Deus recolheu meu pai eu aprendi muito sobre entender a finitude de quem amo muito.
    Mas, o que aconteceu nas últimas duas semanas foi a vivência mais forte que tive frente à morte, porque atingiu minha pessoa mais valiosa.
    Minha filha é casada há sete anos, tem o Otávio de quatro anos e está gravida do Timóteo de cinco meses. Numa terça feira do dia 17 de setembro 2024, meu genro de 31 anos teve um mal súbito, dor no peito e falta de ar. A Ana teve a expertise de verificar a saturação e batimentos cardíacos e correram para o PS. O Senhor Deus encaminhou de tal maneira todo o atendimento que em 1 hora Matheus já estava na UTI com o diagnóstico de Trombose Pulmonar com alto risco  de morte.
    Eu nunca imaginei pensar que minha menina, tão jovem, pudesse passar pela experiência de finitude enquanto eu estivesse viva. Sempre achei que a minha morte seria a experiência dela. Mas, não. Aprouve Deus permitir que ela passasse por esse vale enquanto eu estou viva. Sabe o que senti naqueles dias? Que a vida era como água escapando por entre meus dedos. Lá no fundo da minha alma eu tentei pensar em algo que pudesse segurar a vida do Matheus nas minhas mãos, mas sabia que isso não me cabia.
    Depois de dias de lutas e na espera do que Deus faria, Matheus saiu do risco. Ficou com sequelas, mas está vivo.
    Como Deus nunca faz nada sem propósitos cabe a nós, pobres mortais finitos, olharmos para dentro de nós mesmos e entendermos o que Ele quer nos ensinar.
    Cada um que viveu com a gente esse vale pode aprender algo sobre a vida.
    Somos tão frágeis, tão insignificantes que um pequeno coágulo de sangue pode cessar nossa vida aqui em questão de minutos, ou poucas horas. Você já pensou se seu coração está pronto para essa realidade? Não só a sua vida, mas a vida de quem ama?
    Talvez sua alma está tão absorta nas coisas cotidianas e na busca de alegrias efêmeras, que isso não faz parte de seus pensamentos. Mas, um pequeno erro no seu corpo pode mudar essa realidade.
    Eu relembrei todas minhas verdades e tudo que meu Deus é, durante esses dias. Acima de tudo pude perceber o quanto  amo minha filha e meu neto, mas Deus me mostrou que Ele ama mais. Que eu não tenho controle sobre quem viverá e quem morrerá antes ou depois de mim. Que se a morte vier para quem eu amo, Ele me dará toda força que preciso para viver e ainda assim louvá-lo pelo que Ele faz. 
    A fé pode parecer loucura para quem não a tem, e ela é mesmo, loucura para quem não se rende ao Deus que conheço. Mas, posso dizer com propriedade que Ele me deu força suficiente para envolver meu neto e minha menina com todo meu amor e cuidado.
    Muitas vozes foram elevadas aos céus em oração pelo Matheus.
    A igreja de Deus não tem paredes nem cores. Quem serve esse Deus sabe disso. Algo sobrenatural aconteceu naqueles dias. Homens e mulheres em todo o Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, na Austrália, em vários outros países oraram em favor do Matheus. Recebemos notícias de todos os lugares avisando que havia igrejas orando por eles. Então, aprendemos uma lição preciosa: nós amamos um Deus que nos deu uma grande e maravilhosa família. Não ficamos sozinhos. Mesmo se perdermos alguém, ainda assim somos amparados e envolvidos por aqueles que amam esse mesmo Deus. Obrigada igreja de Deus espalhada por esse mundo.
    Queria eu poder engolir minha filha e meu neto naqueles dias e poupá-los de viver esse vale, queria eu passar por isso no lugar dela, mas não sou eu quem traço a história dela, então me resta confiar naquele que um dia me deu a Ana como filha, confiou a mim construir seu caráter e ensiná-la a amar o Deus que amo. Sei que Ele jamais faria algo para arruinar  esse projeto. Não por mim, nem meu mérito, mas para que Ele seja engrandecido em tudo isso.
    A vida é muito breve. Como uma flor que nasce de manhã e cai no fim do dia. Então, nos resta depositar nossa alma numa esperança que tenha grande valor eterno. 
    Matheus tem algo a contar sobre esse Deus. Ana aprendeu algo sublime. Otávio um dia vai poder contar como Deus demonstrou grande amor por ele, trazendo seu pai de volta para casa.
    Hoje estou aqui sentada escrevendo. Amanhã já não sei. Eu sei para onde vou depois que fechar meus olhos, e sei que Deus certamente cuidará de quem fica.
    Vida que segue, depositada no Eterno que me ensina dia-a-dia.
      "Ainda que a figueira não floresça, não haja uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos,  ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação.  O Senhor Soberano é a minha força; Ele faz os meus pés como os da corça; ele me habilita a andar em lugares altos". Habacuque 3: 17 a 19

Suzy
   


    
    
    
    
    
 

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