
Minha primeira experiência verdadeira com cães foi quando a Ana, minha filha, já tinha 4 anos de idade.
Desde pequena ela pedia um cão. Não havia espaço para cães em nossa casa, mas Ana era uma garota amorosa com animais e certamente ela teria uma grande experiência em termos de afetividade.
Um amigo, veterinário, me avisou que tinha feito o parto de uma ninhada de Cocker Spaniel de sangue puro. Me deu o endereço para que fossemos ver a ninhada e escolher um cão.
Quando chegamos lá, fiquei abobada...queria todos...todos eles...lindos...doces...com aquelas carinhas de coitadinhos...com aquelas orelhas enormes....Mas, uma fêmea nos chamou a atenção. Alegre...linda..cor de mel..PERFEITA... Ela seria a escolhida para dar de presente para a Ana.
Naquela tarde, fomos buscar a Ana na escola com a cachorrinha nos braços.
Nunca pensei que aquele encontro fosse ser tão profundo. Ana amou o filhote!
Quando escolheu o nome fiquei estarrecida... PIPOCA...Uma cachorra com pedigree, de raça nobre....com nome de cachorro de mendigo! Não houve outros nomes sugeridos que a demovessem de Pipoca. Nem os mais docilizados como Mel, Barbie, Bianca foram suficientes para Ana desistir do nome já antes escolhido.
Assim, nossa casa tinha uma Pipoca, arfando,correndo, tropeçando nas orelhas e "pipocando" por todos os lados.
A Pipoca era inteligente e certamente raciocinava... ela era capaz de coisas que nunca imaginei que um cão pudesse fazer.Aprendeu abrir a porta da sala para entrar e sair conforme fosse de seu agrado. Adorava pão francês e tinha pavor de água....Nenhum passarinho ou ser semelhante, podia sequer pensar em chegar perto de minha casa.
Tudo que Ana fazia com ela era de inteiro agrado de Pipoca. Sempre disposta a enfrentar o lado "Felícia" da Ana, não se opunha a qualquer brincadeira.
Roupas de bonecas enfiados pescoço abaixo...ela pousava para Ana. toucas...chapéus...unhas pintadas... Se dispunha a ficar presa por horas, dentro do quarto, servindo de boneca nas brincadeiras de casinha.
Mas, o mais impressionante, era a paciência que Pipoca tinha em aceitar ficar junto de Ana balançando na rede. Suas orellhas grandes iam e vinham... e lá permanecia ela, sempre fiel.
Fiel porque Ana era sua inteira propriedade. Se alguém chegasse perto da Ana ela se postava ao lado para avisar quem era a dona do pedaço.
Assim como Pipoca era fiel à Ana, o oposto era verdadeiro. Ana foi e ainda é fiel a essa cachorra.
Foi um amor lindo...algo que jamais vamos esquecer.
Pipoca nos deu momentos significativos.
Acabou com meu sofá e as pernas de minha mesa. Roeu pastas de couro e sapatos; matava Gambás intrusos e os colocava na porta da sala como troféu.
Acabou com um saco de carvão esparramando-o por toda varanda e para acabar seu serviço tirou as roupas do varal para esfregar no carvão...
Engoliu uma bolinha de silicone da Ana e teve que ser operada para tira-lá do estomago.
Cuidava da casa como um leão cuida de seu território. O coitado do "João", zelador do condomínio, era seu inimigo cruel. Ele sequer podia chegar a 40 mts da casa que ela virava um pit bull de orelhas caídas.
Ao pronunciarmos a frase:" vamos na casa do vô Bira" ela já sabia que era para entrar no carro que a viagem de 60 Km ia começar...só alegria....
Ficar brava com ela era impossível...quando ela nos olhava com aquele olhar fatal, que todo Cocker tem, nosso coração derretia.
Sua pelagem era linda e era encontrada em todos os cômodos, lugares, frestras, buracos e cantos de nossa casa.
Ana e ela eram uma só "pessoa"...não havia Ana sem Pipoca nem Pipoca sem Ana.
Uma combinação perfeita.
Mas, um homem cruel não gostou de seus latidos. Para esse homem uma noite que estavamos fora foi o suficiente para envenená-la. Sofreu muito para morrer.
Nossa Pipoca se foi em novembro de 2007.
Ela nos teve por 8 anos e perdê-la foi muito triste.
Pipoca será nossa eterna lembrança de fidelidade e amizade.
Ela foi generosa, e participou da fase mais linda de desenvolvimento da Ana. Ela ensinou a Ana o que era adoção, devoção, amizade...fidelidade.
Eram tão amigas que as vezes me assustava.
Hoje, mesmo com outra amiguinha em casa, Ana chora ao se lembrar de sua dona.
Há fotos e lembranças dela pela casa.
Seu último osso está bem guardado.
Suas fotos e histótias sempre serão contadas.
A Ana da Pipoca aprendeu muito com essa amizade... e eu, com essa linda e porfunda relação.
In memorian....
nossa, choreeei choreei, pipoca, simpliesmente única, não vai existir otra em seu lugar, amo eternamente!
ResponderExcluirAna elisa !
Ai profe,,, todas suas mensagens sao lindas e profundas....nossa,chorei muito enquanto as lia. é incrivel professora, acredito que tens um dom...de coisas que para tantos é tao futil, vc faz virar doces e emocionantes palavras, que tocam no fundo do coraçao.
ResponderExcluirA admiro muuuuito,que bom que um dia vc entrou em minha vida....grand abraço professora Suzy.