Faz tempo que não tenho tempo.
Correndo atrás de meus sonhos!
Para isso tenho estado na estrada entre a cidade que moro e a cidade que trabalho. Todos os dias entro no carro, por quase uma hora, para depois entrar nas salas de aulas.
Outro dia pedi à minha filha um novo CD de música para ouvir no carro.Ouvir boa música faz meu tempo de percurso ser suave e bom.
Nem imagino onde ela arrumou um CD de músicas de Djavan.
Antigo. Músicas boas e inteligentes.
Uma das músicas dele, neste CD, já me era conhecida, mas a letra me fez pensar por vários dias.
A letra diz assim:
" Só eu sei as esquinas por que passei
só eu sei
Sabe lá. o que é não ter e ter que ter pra dar
Sabe lá..
E quem será
Nos arredores do amor quem vai saber reparar
que o dia nasceu
Só eu sei os desertos que atravessei
só eu sei
Sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar
Sabe lá".
Esquinas me lembram decisões.
Desertos me lembram sofrer.
Quantas esquinas aparecem em nossa vida nos trazendo rumos diferentes e oportunidades de decisão
Não é muito agradável tomar decisões. Todas minhas esquinas foram difíceis.
Decidir entre ir ou não ir. Falar ou não falar. Amar ou desamar. Abrir mão ou me apossar de meu destino.
Quando essas esquinas me chegam eu penso que certamente será a ultima. Mas, isso é uma ilusão. Mal começo a caminhar em caminhos suaves, me deparo com uma esquina.
Não sei dizer quantas vezes errei na escolha da direção.
Ao chegar nessas esquinas olho de um lado: um caminho e suas consequências; olho do outro lado: um outro tipo de caminho e outras tantas consequências.
Pensar, refletir, decidir e então tomar o rumo escolhido.
Essas esquinas aparecem em horas inesperadas. Ter de decidir entre várias possibilidades já me trouxe noites sem dormir e muita ansiedade.
No geral as esquinas aparecem em meio alguns desertos.
Aqueles desertos sofridos. Desertos de possibilidades, desertos de futuro, de esperança.
Uma sensação sufocante em meio a caminhada e um frio doído quando a noite chega e estamos sós.
Um deserto que deve ser atravessado sem nenhuma maneira para negociar atalhos ou saídas de emergência.
E, quando se desponta a possibilidade de um oásis a água é salgada e as esquinas aparecem.
Esse ano foi um ano de esquinas.
Tomar decisões tem sido um desafio em minhas esquinas.
Há um temor crescente durante e depois de decidir, mas tenho tido possibilidade de exercer uma fé no que não vejo agora.
Em meio a isso ainda preciso doar-me e dar o que as vezes nem há em meu alforge.
Mas, vale pena o depois.
Olho as esquinas, os desertos já percorridos e percebo que embora tenha tido temores, os rumos tomados têm sido corrigidos pelo GPS divino. Às vezes uma rota errada, uma mudança repentina, um oásis logo a frente e água doce. Às vezes mais um deserto a percorrer e só a água salgada dos mares desérticos.
Bom saber que o sol nasce e sua luz traz claridade para decidir com sabedoria.
Esse é o ciclo das nossas esquinas. Não há como fugir disso.
Minhas e tantas esquinas! Meus e tantos desertos!
Só eu sei.


Amei seu post, minha vida tem sido de muitas esquinas, gostei muito das comparações. Que Deus continue abençoando sua vida sempre, pra sempre Prof. Susy.
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